"O Instituto Nova União da Arte vem se tornando uma referência por seu modo de fazer e de inovar em propostas de desenvolvimento social."

 

A vontade de seu fundador, Hermes de Sousa, em restaurar e mudar os contornos de sua própria vida, unida à sua experiência de entalhe em madeira com presos e jovens em medidas socioeducativas, veio ao encontro das condições precárias em que viviam os moradores do bairro situado no Jardim Pantanal; essa reciclagem de histórias de vida e reinvenção da comunidade por meio da arte foram os primeiros horizontes do que viria a se tornar o Instituto NUA - Nova União da Arte. A organização não governamental contribuiu decisivamente para o fortalecimento da comunidade União de Vila Nova, onde atua desde 2001. Com um parque imenso, ruas asfaltadas, escolas e creches que revelam o grande processo de reurbanização do bairro. Quem chega hoje não imagina que essa região era um pântano, com lagos de três minas e água das enchentes do rio Tietê. Imagina menos ainda que as primeiras 100 famílias que ocuparam a região, há 23 anos, deram início ao aterramento do local, junto ao depósito frequente de lixo clandestino. Os passos iniciais do Instituto, impulsionados pela liderança de Hermes de Sousa, marcaram presença nesse processo de transformação. Em 2005, o projeto de reurbanização promovido pelo CDHU retirou o lixo do local para dar lugar a moradias populares. Junto, foram-se os galpões onde aconteciam as atividades do NUA, sem que um local alternativo fosse providenciado. Aquilo que poderia desanimar acabou por convocar a entidade a reunir lideranças locais e dar início ao Fórum de Desenvolvimento Local do bairro. Primeiro espaço de articulação coletiva, o fórum fortaleceu a relação entre poder público, lideranças locais e comunidade.

O Instituto se restabeleceu em locais alternativos no bairro, ganhou estatuto jurídico e tem, hoje, como um de seus desafios a construção de uma nova sede. Mantendo como foco a arte, cultura e geração de renda, desenvolveu novos projetos, como o Centro para Criança e Adolescente (CCA), em parceria com a Secretaria Municipal de Ação e Desenvolvimento Social de São Paulo (SMADS). Outro projeto bem-sucedido é o Nossa Ponte de Cultura, que tem aulas de Futebol, Grafite, Música, Dança, Educomunicação, Fotografia e Vídeo para mais de 150 jovens. A proposta visa promover a permanência da criança e adolescente na escola e reduzir o envolvimento deles com o tráfico de drogas.

Jaqueline e Lúcia, quando adolescentes, participaram das oficinas de entalhe, teatro e dança nos antigos galpões do NUA. Respiraram os ares revolucionários do projeto em seu modo de produzir engajamento, cidadania, e participação na comunidade. Alimentadas pelo trabalho socioeducativo do instituto, deixaram o lugar de aluno para assumir o de empreendedor. São elas que, junto com Serginho, tocam hoje o dia a dia do projeto Flor de Cabruêra, produzindo bolsas, inventando modelos novos, e capacitando multiplicadores. Calma e sabedoria são os valores trazidos pela Flor; Cabruêra vem de cabra da peste, cabra macho, cabra de palavra! Cabruêra era como se chamavam entre si os integrantes do grupo de mestiços, caboclos, mulatos e trabalhadores roceiros do Nordeste que se fixaram na região de São Miguel Paulista, manifestando a força e a persistência de um povo imigrante e trabalhador. Com a força e persistência de um, unidas à calma e sabedoria do outro, nasceu a Empresa Sócio Comunitária Flor de Cabruêra, uma iniciativa inovadora para gerar renda, empreendedorismo e resgatar a herança cultural dos moradores do bairro. 

Por meio de capacitações de corte e costura, e da parceria com diversas empresas e entidades, o Flor de Cabruêra propõe múltiplas trocas e co-responsabilidade pelo empreendimento. Com as entidades parceiras ele divide custos e capacitações para a manufatura de bolsas. Com grandes empresas, oferece a possibilidade de reaproveitamento de resíduos industriais como banners de eventos, para confecção de peças de ecodesign que retornam como brindes ou produtos em eventos. Na comunidade, tudo isso gera renda e capacitação profissional. Todos saem beneficiados, e os lucros são reinvestidos para ampliação e aprimoramento da empresa, bem como para o atendimento de outras demandas da instituição.

O Instituto Nova União da Arte vem se tornando uma referência por seu modo de fazer e de inovar em propostas de desenvolvimento social. Participou do Programa URBIS  - parceria entre a SMADS e a Fundação Bill & Melinda Gates - que tem por objetivo o fortalecimento de organizações de assistência social que atuam no combate à pobreza urbana, e foi convidado a representar o Brasil em seminários sobre desenvolvimento comunitário e reurbanização no Quênia e na Costa do Marfim. No Brasil, foi um dos organizadores do lançamento do Fórum Online Ponte de Cultura, uma iniciativa para o intercâmbio sociocultural de comunidades com baixos Índices de Desenvolvimento Urbano (IDH) em diferentes países. Em fevereiro de 2010 ocorreu o primeiro seminário Favela In Foco, que contou também com uma exposição fotográfica de paisagens periféricas em sete países.

 

PONTOS FORTES:

• Desenvolvimento do participante e de parceiros na defesa dos interesses da comunidade e da criança e adolescente.

• Gestão participativa: todos são agentes de desenvolvimento e articulação.

 

DESAFIOS:

• Sistematizar e difundir a experiência de suas práticas.

• Fortalecer e ampliar seus projetos.

• Desenvolver ações conjuntas com entidades do bairro.

 

Texto retirado e adaptado do livro:

Cidadania Viva: Práticas Socioeducativas em São Miguel Paulista.

Fundação Tide Setubal, 2010.

INSTITUIÇÃO NUA - Nova União da Arte

Rua União Vila Nova, 6C - União de Vila Nova

(Centro da Criança e Adolescente - CCA Nova União)

São Paulo - SP - Cep: 08072-035

Telefone: 55 (11) 2297-3871

institutonua@hotmail.com

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